Representante da organização apoiou a decisão do STF, que exigiu a volta da divulgação dos dados completos, e reconheceu o esforço de veículos de imprensa para manter os brasileiros informados. Porta-voz do alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, em entrevista coletiva virtual nesta sexta (12)
Reprodução/ONU
O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, disse nessa sexta-feira (12) que é essencial informar a população sobre o número de casos e de mortes durante uma pandemia.
Perguntado sobre as ações do governo brasileiro, que na semana passada tentou esconder parte das atualizações de casos e mortes da Covid-19 de seu site oficial, Colville disse que o Alto Comissariado apoia a decisão do Supremo Tribunal Federal, exigindo que o governo retomasse o formato tradicional de divulgação dos dados.
“Durante uma pandemia como essa, transmitir informações para a população em cima do conhecimento disponível é obviamente a melhor maneira de evitar a propagação da Covid-19, é essencial”, disse o porta-voz em uma entrevista coletiva virtual.
O representante da organização também reconheceu o esforço de veículos de imprensa para manter os brasileiros informados – como a iniciativa do consórcio formado pelo G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL que reúne dados das secretarias estaduais de Saúde.
Parceria para informar
Desde segunda-feira (8), o G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.
A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.
Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.
A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite da última quinta-feira (4). Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia.
Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.
Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.
No domingo (7), o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas. Apenas na quinta (11), o Ministério da Saúde voltou a divulgar os dados completos, obedecendo a ordem do STF.
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