A taxa de desemprego no Brasil subiu para 13,8% no trimestre encerrado em julho, a mais alta da série histórica iniciada em 2012, e atinge 13,1 milhões de pessoas, apontou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quarta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE). Nos três meses encerrados em junho, o índice de brasileiros sem trabalho era de 13,3%. A população ocupada passou para 82 milhões de pessoas, o menor contingente desde 2012, queda de 8,11% em relação ao trimestre anterior, totalizando 7,2 milhões de brasileiros, e 12,3% frente ao mesmo período do ano passado. O nível de ocupação também é o menor desde o início da pesquisa, com 47,1%, queda de 4,5 pontos percentuais em comparação aos três meses anteriores e 7,6% no mesmo trimestre de 2019. Este é o sétimo aumento consecutivo do desemprego na taxa trimestral, iniciado nos três meses encerrados em janeiro deste ano, quando o nível passou para 11,2% ante 11% no período encerrado em dezembro de 2019. 

O número de empregados com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, é de 29,4 milhões, também é o menor registro da série, com queda de 8,8% em paralelo ao trimestre anterior — totalizando 2,8 milhões de pessoas —, e 11,3% ante aos mesmos três meses de 2019. O volume de trabalhadores sem carteira assinada é de 8,7 milhões de pessoas, 14,2% a menos em comparação ao trimestre anterior e 25,4% em paralelo ao mesmo período um ano atrás. O número de trabalhadores por conta própria baixou para 21,4 milhões no trimestre encerrado em julho, recuo de 8,4% em paralelo ao trimestre móvel anterior e 11,6% comparado ao mesmo período de 2019. O índice de trabalhadores domésticos também mostrou recuo, com retração de 16,8% em comparação ao trimestre encerrado em junho, somando 4,6 milhões de pessoas, e 26,9% relacionado ao mesmo período no ano passado. Já a taxa de informalidade é de 37,4% da população ocupada, somando 30,7 milhões de trabalhadores. Nos três meses anteriores, a taxa era de 38,8%.

O aumento do desemprego ocorreu em meio à flexibilização das medidas de isolamento social e reabertura de comércios, bares e restaurantes. O índice encerrado em julho se mostrou pior do que o que compreendeu os meses de abril e junho, considerado como o pior momento da crise causada pelo novo coronavírus. A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, explica que as quedas no período da pandemia de Covid-19 foram determinantes para os recordes negativos deste trimestre encerrado em julho. “Os resultados das últimas cinco divulgações mostram uma retração muito grande na população ocupada. É um acúmulo de perdas que leva a esses patamares negativos.”

O número de pessoas que compõe a força de trabalho é 95,2 milhões, a menor da série histórica, queda de 6,8% — ou 6,9 milhões de brasileiros —, frente ao trimestre anterior, e 10,4% em comparação ao mesmo período de 2019. A população fora da força de trabalho também bateu recorde e chegou a 79 milhões, alta de 11,3% em paralelo ao trimestre passado e 21,8% frente ao mesmo período de 2019. A população desalentada, que compreende aqueles que não foram em busca de emprego, mas têm vontade de trabalhar, bateu recorde de 5,8 milhões, alta de 15,3% em relação ao trimestre anterior e 20% a mais do que no mesmo período de 2019. A taxa de subutilização bateu 30,1%, outro recorde da série histórica, com alta de 4,5 pontos percentuais em comparação ao trimestre móvel anterior e 5,6 pontos percentuais a mais do que no mesmo período do ano passado. A população subutilizada subiu 14,7%, a maior desde o início da contagem, totalizando 4,2 milhões de brasileiros.

 

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