Ela demonstrou preocupação com as regiões de fronteira, citou a escalada de casos nos estados brasileiros do Norte que fazem fronteira com a Guiana Francesa e Suriname, e afirmou que os países precisam lidar com a pandemia de forma conjunta. Especialista da entidade afirmou que América Latina ainda não chegou ao pico de contágio. Foto mostra rua cheia no centro de São Paulo, no dia 10 de junho, depois da abertura do comércio sob restrições em meio à pandemia de Covid-19.
Nelson Almeida/AFP
A3 diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e diretora Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, Carissa F. Etienne, afirmou, em entrevista à imprensa nesta terça-feira (16), que a
A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, Carissa F. Etienne, afirmou, em entrevista à imprensa nesta terça-feira (16), que a desaceleração de casos na região não está ocorrendo.
“Atualmente os EUA concentram 54% de todos os casos das Américas, Brasil concentra 23% de casos e 21% de todas as mortes. Não estamos vendo uma desaceleração de contágio”, afirma a diretora da Opas, Clarissa Etienne.
Ela demonstrou preocupação com as regiões de fronteira, citou a escalada de casos nos estados brasileiros do Norte que fazem fronteira com a Guiana Francesa e Suriname, e afirmou que os países precisam lidar com a pandemia de forma conjunta.
Ela relata que houve um aumento de casos na Guiana Francesa no mesmo período de escalada da Covid-19 nos estados brasileiros da região.
“Há contágio ativo em estados do norte do Brasil que fazem fronteira com Guiana e Suriname”, afirmou Etienne. “Guiana passou de 140 casos a 1326 em um mês, período que coincide com aumento de contágios nos estados que fazem fronteira no Brasil e aumento de casos no Suriname”, afirmou.
Antes da Covid-19, os estados brasileiros fronteiriços a outros países já abrigavam populações vulneráveis, como indígenas, comunidades remotas e refugiados, afirma Etienne. Ela relata que a região precisa ser observada com atenção, porque abriga poucos hospitais, e tem laboratórios e clínicas médicas pequenos.
“A pandemia acentua vulnerabilidades e o aumento de propagação nestas zonas é motivo de preocupação grave e ação imediata”, diz Etienne.
Para conter a pandemia e proteger a população, os países devem trabalhar em conjunto, afirma a diretora da Opas.
América Latina terá pandemia mais longa que a Europa, alerta entidade
10 de junho: Mulher com Covid-19 chora enquanto se prepara para ser transferida para um hospital em Breves, no Pará, depois de ficar hospitalizada por cinco dias em Melgaço, a sudoeste da Ilha de Marajó.
Tarso Sarraf/AFP
O diretor para doenças infecciosas da Opas, Marcos Espinal, alertou também que, se as medidas para conter a disseminação do vírus não forem adotadas ou reforçadas, a região terá uma pandemia mais longa que a Europa.
“Tudo indica que, se as medidas de mitigação recomendadas pela OMS e pela Opas não forem adotadas ou reforçadas, [a pandemia] pode durar muito mais tempo que na Europa. A epidemia ainda não passou do pico na América Latina”, alertou Espinal.
Ele destacou, ainda, que a região deve ver uma “onda importante” da doença nos meses de junho e julho, e lembrou a necessidade de continuar as medidas de prevenção. Espinal pontuou, ainda, a diferença nas características latinoamericanas e europeias.
“As comparações sempre são um pouco delicadas, e não é bom fazer comparações, já que são regiões completamente diferentes: a Europa com países de mais recursos, América Latina com suas inequidades e países de menos recursos, cidades muito urbanizadas”, lembrou.
Membros de comunidades ribeirinhas abastecem embarcação antes de ir embora em Breves, no Pará, a sudoeste da Ilha de Marajó.
Tarso Sarraf/AFP
O diretor-assistente da Opas, Jarbas Barbosa, ponderou que a América Latina adotou medidas que foram capazes de conter a disseminação do novo coronavírus por várias semanas, mas que a região tem proporções de pobreza e de trabalho informal que não são comparáveis às da Europa ou de outros países ricos.
Para Barbosa, a onda de casos que a região enfrenta tem mais a ver com determinantes sociais do que com a preparação do sistema de saúde.
“Se não há ações de proteção social, medidas econômicas capazes de proporcionar que as populações pobres da América Latina possam aderir às políticas de distanciamento social, fica muito difícil. São pessoas que têm que sair quase todos os dias para comprar comida porque não têm geladeira em casa, que têm emprego informal, que não têm nenhum tipo de proteção”, lembrou.
Às 8h desta terça-feira (16), o Brasil tinha mais de 44 mil mortes pela Covid-19, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o G1 faz parte.
Segundo dados reportados à OMS até segunda-feira (15), o país teve a maior quantidade de mortes diárias do mundo em 10 dos primeiros 15 dias de junho.
Número de infecções diárias por Covid-19 aumenta em quase metade dos Estados Unidos
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