O secretario do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, confirmou que vai deixar o cargo no segundo semestre de 2020 e explicou que “foi uma decisão pessoal”. Em entrevista ao Jornal da Manhã nesta segunda (15), ele disse que tinha duas opções: ou sair em agosto ou ficar até o fim do governo Bolsonaro, em 2022.

“No segundo semestre vão ser discutidas políticas pós-covid, de recuperação econômica e reajustes estruturais. Não faria sentido começar isso e sair no fim do ano, então ou eu saía agora ou ficava até o fim do governo. E isso seria muito tempo, 6 anos e meio. É um pouquinho cansativo”, justificou. Mansueto, porém, afirmou que a decisão foi pessoal e a transição será feita de forma “coordenada e tranquila”.

A notícia da saída de Mansueto foi vista com desconfiança pelo mercado. Ele reforçou que, nesse momento, mais importante do que quem é o secretário é a existência de um debate político transparente.

Para ele, se o Brasil não recuperar a arrecadação, é possível ter carga tributaria maior ou volta da inflação e juros altos. “Aumentar gasto para combater as mazelas do Brasil não é a solução. A condição de voltar a cuidar do reequilíbrio fiscal depende de nós como sociedade”, justificou.

“Depende de um bom debate político em que todos participem: o governo, o congresso, o Poder Executivo. Para esse ajuste não importa quem é o secretário, mas que todos reconheçam sua importância na criação de um bom ambiente político para aprofundar o assunto e discutir reformas estruturais.”

Teto de gastos

Para o atual secretário do Tesouro, para que este governo cumpra o teto de gastos é preciso segurar os aumentos salariais e a contratação de cargos públicos. “Para além desse governo, é preciso melhorar as reformas estruturais. Nós gastamos muito e o nosso efeito distributivo é pequeno.”

“O Brasil vai sair com dívida alta dessa crise, então é preciso aprovar reformas e por isso que é importante ter boa discussão política. A gente não pode se deixar enganar pelo aumento baixo da dívida bruta, porque isso acontece quando o Banco Central vende reservas — e isso é uma questão exclusiva do BC. Não tem mágica. Ajuste fiscal é crescimento e para isso precisamos de reformas como a administrativa e tributária.”

A questão dos estados, de acordo com ele, não é um problema. “Para os estados terem gastos, é preciso ter acesso ao dinheiro. Eles não tem risco de expandirem a dívida porque não conseguem se autofinanciar, só expandem se tiver o governo federal por trás. O que não podemos é renovar programas e gastar além do necessário”

Informalidade

Uma pauta importante, segundo Mansueto, é o combate a informalidade. “A gente não combate a informalidade com política de transferência de renda. Cerca de 40% da nossa mão de obra é fruto da informalidade. A gente precisa se questionar porquê isso acontece e reduzir.”

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