A doutora Roberta Ribeiro grava podcasts que ajudam a manter o equilíbrio e controlar a ansiedade Quando tinha 5 anos, Roberta Ribeiro decidiu ser médica e, apesar da pouca idade, também optou pela especialidade: neurocirurgia. O motivo? “Queria mudar a cabeça das pessoas, a forma como pensavam”, diverte-se ao lembrar. A vida, como sempre, deu suas voltas. Quando cursava o quinto ano de medicina, seu irmão morreu num acidente de moto e ela abraçou a infectologia – queria estudar os microorganismos e se antecipar às doenças que devastam o organismo. Durante o período de residência na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a epidemia de Aids estava no auge: “vi muita dor, muito sofrimento. Senti a necessidade de ampliar minha visão sobre o que é saúde, investigar a relação entre o estado físico e o emocional, o psíquico, compreender a interação entre corpo e mente”.
Roberta Ribeiro, infectologista e instrutora de mindfulness
Sergio Yo
A doutora Roberta já era uma adepta da meditação e passou a estudar medicina ayurvédica e homeopatia. Foi quando tomou conhecimento do mindfulness, método no qual se busca a consciência através da técnica de atenção plena em relação ao que está acontecendo no momento. Durante a sessão, a pessoa utiliza objetos de foco para ancorar sua atenção, como a respiração e pontos de apoio do corpo, e deixa emoções e sentimentos fluírem sem julgamentos, porque o objetivo é estar conectado com cada instante vivido. Não teve dúvidas: “foi um bálsamo, me encontrei ali. O mindfulness mostra com transparência nossa vulnerabilidade, mas também nos ajuda a conviver com ela”.
Acabou se tornando instrutora de mindfulness pela Escola Médica da Universidade de Massachusetts e não demorou para repensar sua trajetória. “Dos 28 anos de formada, passei cinco em hospitais e o restante em consultório, onde atuava como médica de família, mas queria atingir mais gente”. Resolveu fazer um teste e gravou um podcast. Apaixonou-se. Foi assim que surgiu o Mindful Moment, disponível em seu blog e no Spotify. “A primeira temporada foi como o mindfulness entrou em minha vida, como se deu a minha vivência. É muito íntimo, falo do momento em que me dei conta de que minha mãe tinha envelhecido à experiência de trabalho voluntário na África, passando pelo luto quando perdi dois cães que amava”.
Houve ainda uma temporada utilizando a poesia de Fernando Pessoa e outra baseada em perguntas sobre o tema, depois de já ter expandido o trabalho para as redes sociais. Até que veio a pandemia. “Vi que poderia ajudar como infectologista e instrutora de mindfulness”, afirma. Atualmente, grava quase todos os dias da semana. Às segundas, o episódio “Mindful Monday” é uma prática voltada para manter o equilíbrio no meio da ansiedade, “para reatar nossas conexões”, diz. Às terças, quintas e sextas, o “Covid-19 em imersão” é uma breve reflexão sobre a pandemia: “solidariedade em tempos de surto”, resume. Na quarta é a vez do “Mindful moment”, que aborda os pilares e conceitos do método.
Seu público vai dos 20 aos 75 anos e ela se prepara para disponibilizar vídeos no YouTube e Instagram. Acabou de compartilhar a mais recente palestra de Jon Kabat-Zinn, considerado o pai do mindfulness, sobre o cenário com o novo coronavírus. Fundador e diretor da clínica de redução de estresse do Centro Médico da Universidade de Massachusetts, Kabat-Zinn ensina que, apesar de o momento presente ser o único que existe, raramente prestamos atenção nele. “A prática nunca termina. A prática é a vida”, sintetiza a médica. Ao que parece, Roberta Ribeiro agora se dedica ao sonho de quando tinha 5 anos: mudar a cabeça das pessoas.

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