Especialistas dos EUA identificaram alteração no vírus que aumenta o número de espinhos em sua coroa, o que permite maior ligação com as células invadidas. Ilustração feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, mostra a morfologia do novo coronavírus, conhecido cientificamente como 2019-nCoV
Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Handout via Reuters
Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram uma mutação que altera o revestimento de proteína do coronavírus Sars-Cov-2. Publicado na sexta-feira (12) como prévia (pré-print), o artigo sugere que essa alteração pode “aumentar consideravelmente” a capacidade de infectar células humanas.
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A mutação, batizada de D614G, aumentou o número de espinhos, ou “spikes” do coronavírus. É a proteína S, que forma a coroa, dando ao vírus sua forma única. Estes espinhos permitem ao vírus se conectar às células das mucosas e infectá-las, para começar a sua duplicação.
Segundo os especialistas da Scripps Research, o estudo pode explicar por que surtos iniciais, em algumas partes do mundo, não sobrecarregaram os sistemas de saúde tanto quanto os de Nova York e da Itália
“O número – ou densidade – de espinhos funcionais no vírus é 4 ou 5 vezes maior devido a esta mutação”, disse à agência Reuters um dos autores do estudo, Hyeryun Choe.
Entretanto, para os cientistas, ainda não é possível saber se esta pequena mutação na coroa do vírus consegue afetar a gravidade dos sintomas das pessoas infectadas ou se aumenta a mortalidade.
Os pesquisadores que realizam experimentos laboratoriais dizem que mais pesquisas, incluindo estudos controlados – amplamente considerados como um padrão-ouro dos testes clínicos –, precisam ser feitas para confirmar suas conclusões de experimentos em tubos de ensaio.
Pesquisas anteriores mostraram que o novo coronavírus Sars-CoV-2 está mudando e evoluindo à medida que se adapta aos hospedeiros humanos. A mutação D614G, em particular, foi assinalada como uma preocupação urgente porque parece estar emergindo como a mutação predominante.
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