SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Paulo Rocha, 43, está aproveitando a quarentena para rever seus antigos trabalhos, em reprise na Globo. O ator português, que atualmente pode ser visto pelo público em três novelas da emissora -“Fina Estampa”, “Totalmente Demais” e “Novo Mundo”-, tem refletido sobre sua trajetória na televisão.

“É interessante essa percepção de poder olhar com um certo distanciamento, como um espectador”, diz o ator que atualmente vive no Brasil com a esposa e o filho de dois anos. Em bate-papo com jornalistas, feito através de videochamada, Paulo Rocha afirma ter mudado sua opinião em relação ao seu personagem de maior destaque, Guaracy, vivido em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva.

“A novela está me ensinando mais agora. Menosprezei muito o Guaracy durante um tempo. Achei que o sucesso se devia mais a questões estéticas do que artísticas. Mas fiquei feliz de ver que estava sendo um pouco injusto com Guaracy e comigo também.”

Exibida há nove anos, “Fina Estampa” foi a estreia de Paulo Rocha na televisão brasileira. O ator, nascido na pequena cidade de Setúbal, em Portugal, conta que na época não havia expectativas em ficar no Brasil. “Eu chegava para trabalhar em um lugar enorme como a TV Globo, que fazia parte do meu imaginário de criança, contracenando com colegas que eu admirava.”

Já em “Totalmente Demais”, em que deu vida ao padrasto malvado de Elisa (Marina Ruy Barbosa), o ator afirma como é interesse rever o folhetim, do qual guarda bastante carinho. “As pessoas me odiavam. É um personagem totalmente diferente do que eu já tinha feito.”

Rocha defende que a reexibição das novelas é positiva para refletir assuntos tratados nas tramas, já que elas trazem questões diferentes da sociedade. “Todas falam de problemas, questões difíceis que não foram resolvidas ainda.”

No caso de “Fina Estampa”, o ator ressalta os preconceitos debatidos na personagem de Griselda (Lília Cabral). “Uma década para mudar a mentalidade de uma sociedade é meio ilusório. As mudanças precisam ser gritadas para surtirem algum efeito. É um processo muito difícil.”

Esperançoso quanto ao fim próximo da pandemia do coronavírus, Rocha passa a quarentena em seu sítio no Rio de Janeiro, e aproveita o momento para reviver hábitos da infância quando morava em Portugal. “Tenho procurado cavar à terra, rachar a lenha, fazer adubo, cozinhar pão. Agora com esse desacelerar obrigatório, da nossa existência, possibilita reviver costumes.” Ele diz acreditar que daqui em diante será raro estar em diversos trabalhos simultaneamente. “Dificilmente será uma situação que vai se repetir. Estamos vivendo tempos atípicos.”

Seu último trabalho foi na novela “Éramos Seis”, que chegou ao fim em março. Na trama adaptada por Ângela Chaves, com colaboração de Bernardo Guilherme, Daisy Chaves e Juliana Peres, Rocha interpretou Felício, personagem que fez par romântico com Isabel (Giullia Buscacio). O romance repentino dos dois trouxe a questão da diferença de idade do casal. No fim, eles superaram os obstáculos, tiveram filhos e acabaram juntos.

Casado com a psicóloga brasileira Juliana Pereira da Silva, com quem tem um filho, José Francisco, de dois anos, Paulo Rocha afirma que na época [em que se apaixonou], se pudesse dar um conselho a alguém, diria para a pessoa ir em frente na relação.

“Procure ser o mais feliz possível. E se for pensar a longo prazo, perceba se os objetivos de vida são parecidos, se são objetivos que permitem uma caminhada lado a lado a longo prazo. Para que o processo de sofrimento, no caso de não ser, não seja muito grande. Ou pelo menos seja uma decisão mais consciente.”

Apesar de inicialmente não ter colocado fé em sua carreira no Brasil, o ator português Paulo Rocha já participou de nove trabalhos na televisão brasileira desde 2011, quando fez sua estreia. Um dos seus personagens que também chamou atenção, além de Guaracy, foi Joel da minissérie da Globo “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” (2018).

Na história, Paulo Rocha mostrou sua versatilidade ao interpretar um açougueiro que perdeu a mulher e não sabia dar amor ao filho, completamente o oposto da vida real. Cheio de traços agressivos e preconceituosos, Joel foi um grande desafio para o ator.

“Obviamente não sou racista e nem gosto de bater de cinto em crianças, mas você tem que se libertar disso e olhar o que pode ter acontecido a uma pessoa para que isso seja possível”, diz Rocha sobre o personagem. “As vozes da cultura, da sociedade, e o que isso reflete na forma como você se comporta.”

Na opinião do artista, os personagens não podem vir antes de suas convicções. “Isso é um contrapeso dos artistas. Às vezes temos sorte de fazer um personagem que vai ao encontro de nossas convicções, e aí é muito mais fácil.”

Até o momento, Paulo Rocha ainda não foi confirmado para um novo trabalho na Globo, mas permanece contratado da emissora.

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