A responsabilidade pelo crescimento dos ataques às instituições são de responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro, avalia o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, em entrevista ao Jornal da Manhã nesta segunda-feira (15).

Para ele, que comandou o Ministério da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso, o apoio do presidente às manifestações impulsiona os ataques às instituições, como o episódio ocorrido no sábado (13), quando pessoas jogaram fogos de artifício em direção ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O próprio presidente vem dando esse exemplo, contra o Covid-19, contra o isolamento em choque com os governadores e prefeitos. Ele passa também a imagem de que é confrontável. Basta lembrar o número de vezes que ele foi às manifestações de rua. Na reunião ministerial, [Weintraub] disse que os ministros deveriam ser presos e ele não disse nada, e depois as notas que fora expedidas.”

O jurista afirma estar “chocado” com os disparos de fogos de artifício ao STF e disse que as ações “seriam realmente ridículas se não fossem graves”. “Perdeu-se a noção das instituições, da seriedade do poder.  Dizer que tem que destruir o Supremo mostrando um bombardeamento e a Polícia Militar não faz nada, deixa que boçais façam chacota da população.”

“O respeito às instituições foi pro beleléu, porque ele [Jair Bolsonaro] dá o exemplo. Ele é o formador de opiniões, aquilo que ele diz reflete naquilo que a população vem a fazer.”

Reale Jr disse que não enxerga um posicionamento parcial do Supremo Tribunal Federal e ressaltou que as decisões consideradas absurdas por alguns apoiadores são “absurdas segundo seus interesses”.

“O presidente que tem opiniões contrárias. Não vi nenhuma decisão parcial do Supremo, as decisões são absolutamente bem fundamentadas. Posso discordar [de decisões do STF], mas se trabalha com argumento, não indo com manifestações para fechar o Supremo, fechar a nossa Justiça.”

O ex-ministro da Justiça finalizou lembrando que manifestações ofensivas às instituições e ao Estado Democrático de Direito não são consideradas “liberdades de expressão”.  “Não faça confusão entre críticas e ataques. Aí não há direito, há antidireito, fazer ataques por hashtags, hoje dia com as dimensões, é grave porque mobiliza, estabelece contra as instituições. A Democracia tem que defender a si mesmo.”

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