Organização também informou nesta terça (14) que Brasil, México e EUA registraram 77% de todas as mortes na última semana. Indígenas Huitoto posam para foto usando máscaras protetoras contra a Covid-19 em Letícia, no departamento colombiano do Amazonas, no dia 20 de maio.
Tatiana de Nevó / AFP
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, demonstrou nesta terça-feira (14) preocupação com os povos indígenas, principalmente os que estão na região Amazônica, no Brasil.
“As populações mais vulneráveis foram as mais duramente atingidas. No Brasil, por exemplo, as comunidades indígenas ao longo da bacia amazônica estão vendo taxas de incidência mais de cinco vezes maiores que a média nacional”, afirmou a diretora da Opas, Carissa F. Etienne.
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No dia 8, o presidente Jair Bolsonaro sancionou, com vetos, a lei com medidas de proteção a povos indígenas durante a pandemia do coronavírus.
Dentre os trechos vetados por Bolsonaro, estão os que preveem:
que o governo seja obrigado a fornecer aos povos indígenas “acesso a água potável” e “distribuição gratuita de materiais de higiene, limpeza e de desinfecção para as aldeias”;
que o governo execute ações para garantir aos povos indígenas e quilombolas “a oferta emergencial de leitos hospitalares e de terapia intensiva” e que a União seja obrigada a comprar “ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea”;
obrigatoriedade de liberação pela União de verba emergencial para a saúde indígena;
instalação de internet nas aldeias e distribuição de cestas básicas;
que o governo seja obrigado a facilitar aos indígenas e quilombolas o acesso ao auxílio emergencial.
Em resposta ao veto, o Supremo Tribunal Federal determinou a adoção pelo governo federal de cinco medidas para proteger as comunidades indígenas e evitar a mortalidade pela Covid-19.
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Ainda nesta terça, a Opas informou que a região das Américas foi responsável por 60% das novas infecções em todo o mundo na última semana.
“Até 13 de julho, tínhamos 6,8 milhões de casos e 288 mil mortes nas Américas. Isso equivale a aproximadamente metade de todos os casos e mortes notificados no mundo. Na semana passada, a região registrou 60% de todos os novos casos e 64% de todas as novas mortes”, informou a diretora da Opas, Carissa F. Etienne, durante coletiva de imprensa virtual nesta terça-feira (14).
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A diretora alertou que as mortes estão crescendo em alguns países da América, principalmente no Brasil, México e Estados Unidos.
“O número de pessoas que morrem pela Covid-19 também está subindo, principalmente no Brasil, México e Estados Unidos, que juntos registraram 77% de todas as mortes na última semana e estão enfrentando alguns dos surtos mais mortais do mundo”, alertou Etienne.
Na segunda (13), a América Latina se tornou a segunda região no mundo em números de mortes pelo coronavírus, atrás apenas do continente europeu. O Brasil é o país mais afetado na região.
Em 3 de julho, a América Latina já tinha superado a Europa em número de casos de infeção Covid-19.
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O mundo alcançou novo recorde de novos casos diários de coronavírus esta semana: segundo o relatório da OMS com dados do domingo (12), 230.370 novas infecções foram registradas em apenas 24h. Apenas Estados Unidos e Brasil foram responsáveis por metade desses casos.
“Quase 80% desses casos foram relatados em apenas 10 países e 50% vêm de apenas dois países. Embora o número de mortes diárias permaneça relativamente estável, há muito com que se preocupar”, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon.
Segundo o relatório da OMS, o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos diários. Entre os cinco primeiros com os maiores registros, 3 estão na América:
Estados Unidos, com 66.281 novos casos;
Brasil, com 45.048 novos casos;
Índia, com 28.637 novos casos;
África do Sul, com 13.497 novos casos;
México, com 6.891 novos casos
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