Aplicação começa em junho no Brasil, agora considerado epicentro da pandemia. Infectologista comenta teste de vacina no Brasil feito pela Universidade de Oxford
O infectologista da Fiocruz Julio Croda afirma que o fato de o Brasil receber testes da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford é resultado direto da curva de casos de Covid-19 em crescimento.
“Infelizmente, pela condição epidemiológica do Brasil, de curva ascendente, o país está sendo visto por várias indústrias e por vários institutos de pesquisa como local de oportunidade para o teste de novas vacinas e novos medicamentos também. (…) Isso permite que o desenvolvimento de vacinas seja acelerado porque você tem ‘desfechos frequentes’, que é ter ou não a doença, em um curto espaço de tempo”, analisou Croda, que participou da gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde.
Dois mil brasileiros participarão dos testes, e o Brasil será o primeiro país fora do Reino Unido a começar a testar a eficácia da imunização contra o Sars CoV-2.
“Quando uma empresa ou instituto de pesquisa busca um novo sítio de pesquisa ele quer que em um espaço curto de tempo as pessoas que forem vacinadas, que não têm a doença, que são voluntários, tenham uma probabilidade grande de se expor ao vírus para justamente ver a diferença entre as pessoas que foram vacinadas e as pessoas que não foram”, afirma Croda.
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Dilema da prova de eficácia
Em entrevista exclusiva na quinta-feira (28), a cientista brasileira Daniela Ferreira, que participa do projeto no Reino Unido, já tinha adiantado ao G1 o dilema da prova de eficácia: os responsáveis pela pesquisa em Oxford viam com preocupação o impacto da diminuição da curva de casos no Reino Unido na pesquisa (veja o vídeo abaixo).
Já naquela época o grupo se organizava para ampliar os testes em uma região com altas taxas de circulação do Sars-Cov-2 para poder acelerar a comprovação da possível eficácia da vacina.
Coordenadora de testes com vacina para Covid-19 explica dilema para provar eficácia
“É uma situação um pouco bizarra, porque você quer que o coronavírus desapareça, não quer que as infecções continuem”, diz a chefe do departamento de ciências clínicas da Escola de Medicina Tropical de Liverpool. Para provar mais rapidamente se a fórmula é eficaz, é preciso que os voluntários tenham contato com o vírus e, atualmente, o Brasil é considera o epicentro da pandemia.
“Um dos fatores limitantes de tudo isso é se a gente vai continuar a ter, nos países em que as vacinas estão sendo testadas, um número de infecção que permite que você teste essa vacina rapidamente”, explicou Daniela Ferreira.
Aprovado pela Anvisa
Para ser conduzido no Brasil, o procedimento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o apoio do Ministério da Saúde. Em São Paulo, os testes serão feitos em mil voluntários e conduzidos pelo Centro de Referência para Imunológicos Especiais (Crie) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A Fundação Lemann está financiando a estrutura médica e os equipamentos da operação.
Os voluntários serão pessoas na linha de frente do combate ao coronavírus, com uma chance maior de exposição ao Sars CoV-2. Eles também não podem ter sido infectados em outra ocasião. Os resultados serão importantes para conhecer a segurança da vacina.
Testes já começaram no Reino Unido
Com a previsão otimista de ficar pronta ainda em 2020, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford ofereceu proteção em um estudo pequeno com seis macacos, resultado que levou ao início de testes em humanos no final de abril.
Em humanos, os testes têm apenas 50% de chance de sucesso. Adrian Hill, diretor do Jenner Institute de Oxford, que se associou à farmacêutica AstraZeneca para desenvolver a vacina, disse que os resultados da fase atual, envolvendo milhares de voluntários, podem não garantir que a imunização seja eficaz e pede cautela.
A vacina já está sendo aplicada em 10 mil voluntários no Reino Unido. A dificuldade para provar a possível eficácia está no fato de os cientistas dependerem da continuidade da circulação do vírus entre a população para que os voluntários sejam expostos ao coronavírus Sars-Cov-2.
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