A professora destaca o comportamento tímido e delicado da filha, que conquistava a amizade e o carinho de crianças e idosos. Karoline Thaise Rosa Pinto
Arquivo Pessoal
Mesmo com a dor de perder a filha de 27 anos há pouco mais de 20 dias em um acidente, a professora e psicopedagoga Iraceli Rosa conta a trajetória de exemplos bons de sua filha Karoline Thaise Rosa Pinto.
Karoline tinha 27 quando um veículo, conduzido por um adolescente de 16 anos, saiu da pista na Avenida Chile, no Bairro Tarumã, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, bateu de frente com uma moto e, em seguida, atingiu a jovem que estava na calçada. O acidente ocorreu ás 18h45 no dia 4 de setembro.
O condutor da moto ficou gravemente ferido e foi encaminhado ao hospital, enquanto Karoline morreu no local.
O adolescente de 16 anos, que ainda cursa o ensino médio, foi submetido ao teste do etilômetro, mais conhecido como bafômetro, que constatou 0,63 mg/l de ar expelido por litro de álcool.
A professora destaca o comportamento tímido e delicado da filha, que conquistava a amizade e o carinho de crianças e idosos.
“Karoline era um pouco tímida e se aproximava dos que pareciam com ela. Assim nasceram amizades verdadeiras com idosos, crianças e jovens. Mostrava admiração e respeito por todos que convivia”, contou Iraceli.
Conforme a mãe, Karoline sonhava em cursar arquitetura e chegou a fazer dois anos do curso na cidade de Primavera do Leste, mas devido voltou a morar em Várzea Grande e não consiguiu mais pagar o curso. Decidiu então ingressar no curso de construção de edifício no IFMT. Com isso, a jovem sonhadora construiu seus laços, suas amizades e deixou tranquilidade por onde passou. A mãe se diz orgulhosa. “Na companhia de Karol me sentia pronta para qualquer atividade. Ela me passava tranquilidade”.
Garota sorriso, como era chamada pelos mais íntimos, Karoline gostava de ler a Bíblia, dançar, ouvir músicas nos estilos sertanejo e romântico. Participava como voluntária em construções e reformas de edifícios usados para o ensino da Bíblia, participava de campanhas que levavam mensagens de conforto e esperança de um mundo melhor, como o fim da maldade, do sofrimento, e da morte.
Estudiosa, aos sábados era voluntária num grupo para levar mensagem de boas notícias e de um futuro melhor.
Por conta da pandemia, essa ação estava sendo feita por telefone.
Iraceli, não esquece da força da filha e lembra que Karoline foi uma das primeiras a fazer colação de grau pel internet neste ano, mas não teve tempo de pegar o diploma que seria entregue na próxima semana. A mãe conta que ela perdeu a vida quando chegava em casa. Naquele dia, mãe e filha não tiveram tempo de varrer a frente de casa juntas para saber como foi o dia.
“Ela gostava de saber que era escutada. Sinto falta de nossas conversas.”, contou ao G1. A professora encontrou nessa perda uma forma de aconselhar pais e filhos e diz acreditar nas autoridades quanto ao que ocorreu no acidente.
“Minha perda não consigo mensurar. A irresponsabilidade de quem tirou de mim o presente dado por Deus, que é justo. Ele dará às autoridades a sabedoria necessária para agir segundo as leis que nos regem hoje. Com essa perda, vendo a trajetória de vida de minha filha, uma pessoa ativa, útil, de fé, obediente. Digo as mães: amem seus filhos, nunca deixe de discipliná-los porque neste mundo eles precisam ouvir não dos pais. Aos jovens eu peço que escutem seus pais, mesmo que você ache que eles não merecem. Não pensem em vocês mais do que merecem. Antes de obedecer, a pessoa tem que ser humilde e ser corajoso. Isso eu admirava em minha filha Karoline Thaise Rosa Pinto”, contou emocionada.
O Batalhão de Trânsito registrou o acidente e a investigação será conduzida pela Delegacia Especializada de Trânsito (Deletran). Foram lavradas infrações por dirigir sem Carteira Nacional de Habilitação e por dirigir sob efeito de álcool.