O Ministério da Saúde quer recontar as mortes causadas pela Covid-19 no Brasil. A pasta argumenta que alguns óbitos foram registrados erroneamente como consequentes de infecção por coronavírus. Segundo avaliação da cúpula ministerial, estados e municípios estariam “manipulando informações para se beneficiarem de recursos” do governo federal.

No entanto, há um entendimento de que o problema seria inverso: milhares de mortos estariam sendo enterrados sem ter a causa da morte devidamente apurada, ou seja, o número total seria maior. O próprio Ministério da Saúde informava, até a quinta-feira (4), que havia mais de 4 mil mortes investigadas, além daquelas já confirmadas. Esses dados já não constam no balanço desta sexta (5).

Até o momento, nenhum apontamento sobre esses supostos erros foi feito pelo ministério, que ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.

Divulgação atrasada

Depois de o Ministério da Saúde atrasar o horário de divulgação e deixar de divulgar o número total de mortos e contaminados, o site do governo que traz os dados sobre a doença no Brasil ficou fora do ar.

Em uma rede social, o presidente Jair Bolsonaro disse que o ministério optou pela divulgação às 22h para evitar “subnotificação e inconsistências” e que as rotinas e fluxos estão sendo “adequados” para garantir a “melhor extração” dos dados.

No Twitter, Bolsonaro também tentou justificar o fato de o Ministério da Saúde não informar mais os números acumulados de casos e mortes causados pelo coronavírus. “Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país”, disse.

O presidente disse ainda que a coleta de informações evoluiu e permite obter dados mais precisos sobre cada região. “A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população. A curva de casos mostra as situações como os cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação”, escreveu o presidente

Diante do atraso do governo em divulgar os números, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas disse que cogita propor que se consolide e divulgue os dados diariamente até as 18 horas.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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