Diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, afirmou que o grupo executivo dos ensaios Solidariedade deve se encontrar nesta semana para decidir sobre o braço dos testes que usa a substância. Foto mostra comprimidos de hidroxicloroquina, substância usada para tratar malária e algumas doenças autoimunes, como lúpus.
John Locher/AP
O diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta segunda-feira (15) que a entidade vai discutir nesta semana se mantém os ensaios clínicos com hidroxicloroquina contra a Covid-19.
A decisão foi anunciada logo depois que os Estados Unidos suspenderam a autorização emergencial de uso da substância contra a doença.
“Acredito que o grupo executivo dos ensaios ‘Solidariedade’ deve se encontrar nesta semana, e, obviamente, à luz de outros dados, nós vamos olhar para a utilidade de continuar com certos braços do ensaio, baseados na probabilidade de acharmos um resultado positivo”, declarou Ryan.
Os testes com a hidroxicloroquina já haviam sido suspensos pela OMS no dia 25 de maio, mas, depois, foram retomados. Os experimentos com o remédio fazem parte de um conjunto de ensaios clínicos globais, chamados “Solidariedade” (veja detalhes mais abaixo nesta reportagem), que buscam um tratamento para a Covid-19.
Normalmente, a hidroxicloroquina é usada para tratar alguns tipos de malária e de doenças autoimunes, como o lúpus. A substância surgiu como uma possibilidade de combater o novo coronavírus, mas vários estudos já apontam que ela não tem eficácia contra a doença.
Veja, abaixo, alguns eventos-chave em torno da hidroxicloroquina e da Covid-19:
Em meados de março, um estudo que sugere a eficácia do medicamento é publicado na França, pelo infectologista Didier Raoult. A pesquisa, entretanto, foi amplamente criticada pela comunidade científica, pela suposta falta de rigor científico e pelo número de pacientes estudados: apenas 30.
Apesar das críticas, a droga passa a ser defendida pelo presidente americano, Donald Trump, que aprova o uso emergencial dela e da cloroquina contra a Covid-19.
A substância também é defendida pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, mesmo sem evidências da sua eficácia. A discordância em torno da recomendação do remédio foi um dos motivos que levaram à saída dos últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em abril, e Nelson Teich, em maio. Desde então, o general Eduardo Pazuello ocupa o cargo interinamente.
Também em maio, um estudo que analisa dados de 96 mil pacientes não encontra benefícios no uso da hidroxicloroquina contra a doença.
Logo depois, a OMS decide suspender os ensaios clínicos com a substância.
No início de junho, entretanto, o estudo com os milhares de pacientes é retratado: isso significa que ele perde a validade científica e não pode mais ser usado como referência em trabalhos futuros.
A OMS, então, retoma os testes com a hidroxicloroquina.
Dois dias depois, um grupo de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anuncia que vai suspender os ensaios clínicos com o medicamento, por não ter encontrado evidências de que ele funciona contra a Covid-19.
Nesta segunda-feira (15), a Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês, espécie de Anvisa americana) suspende a autorização emergencial de uso da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus.
Ensaios Solidariedade
Os ensaios Solidariedade foram anunciados pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em 18 de março. Vários hospitais, no mundo inteiro, fazem parte da iniciativa. Segundo a OMS, no dia 25 de maio, havia 35 países recrutando pacientes para estudos em mais de 400 hospitais ao redor do mundo.
A organização afirma que a iniciativa pode diminuir em 80% o tempo necessário para ensaios clínicos, que geralmente levam anos para serem desenhados e conduzidos.
Qualquer adulto com Covid-19 que seja internado em um hospital participante pode fazer parte das pesquisas. Os pacientes são distribuídos, de forma aleatória por um computador, entre 5 opções de tratamento:
Um grupo de pacientes recebe apenas a forma de tratamento padrão do local onde está.
O segundo grupo recebe essa forma de tratamento + o antiviral remdesivir, que já foi testado para o ebola e teve resultados promissores contra a Sars e a Mers, também causadas por vírus da família corona (como o Sars-CoV-2, o novo coronavírus).
O terceiro grupo recebe o tratamento padrão + hidroxicloroquina.
O quarto grupo recebe o tratamento padrão + os antivirais lopinavir e ritonavir, usados para tratar HIV. Ainda não há evidências de que sejam eficazes no tratamento ou prevenção da Covid-19, segundo a OMS.
O quinto grupo recebe o tratamento padrão + interferon beta-1a, usado para tratar esclerose múltipla.
Antes do “sorteio” do tratamento, o paciente é avaliado por uma equipe médica para descartar medicamentos que definitivamente não poderiam ser dados a ele.
No Brasil, os ensaios do Solidariedade são coordenados pela Fiocruz.
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